Após uma série de desafios técnicos e atrasos que resultaram em custos excedentes de mais de um bilhão de dólares, a cápsula Starliner da Boeing está pronta para seu primeiro lançamento tripulado na segunda-feira. A missão é um teste crítico para o transporte de dois astronautas experientes até a Estação Espacial Internacional (ISS), oferecendo uma alternativa à Crew Dragon da SpaceX, já em operação.
A SpaceX já lançou 50 astronautas em 13 voos tripulados desde maio de 2020, enquanto a Boeing enfrentava problemas técnicos que demandaram retrabalho intenso e um voo de teste adicional não tripulado. Apesar disso, os administradores da missão afirmam que todos os problemas conhecidos foram corrigidos, implementaram melhorias e testaram exaustivamente a nave para garantir a segurança da tripulação.
O lançamento da Starliner está programado para as 22h34 EDT de segunda-feira, do Cape Canaveral Space Force Station, e será o primeiro voo tripulado da cápsula, que está acoplada ao topo de um foguete Atlas 5 da United Launch Alliance. Os astronautas da NASA, Barry 'Butch' Wilmore e Sunita Williams, estão ansiosos pelo lançamento. Wilmore expressou total confiança na equipe de gestão e operações da missão. Williams, por sua vez, destacou que 'muitas lições foram aprendidas e incorporadas. Não diríamos que estamos prontos se não estivéssemos'.
Wilmore e Williams são ex-pilotos de teste da Marinha e dois dos astronautas mais experientes da NASA, tendo acumulado quatro voos espaciais, 11 caminhadas espaciais e 500 dias em órbita. Agora, enfrentam a tarefa de pilotar a nova nave em seu primeiro voo tripulado.
O voo da Starliner representa apenas a sexta vez que a NASA coloca astronautas a bordo de uma nova espaçonave pela primeira vez. Jim Free, administrador associado da NASA para operações espaciais, classificou o teste de voo tripulado da Starliner como 'um marco absolutamente crítico'. Ele enfatizou a importância da vigilância e da preparação para o inesperado.
Assumindo um lançamento sem problemas, Wilmore e Williams monitorarão um encontro quase automático com a ISS, com a chance de pilotar manualmente a nave para verificar a capacidade de ajuste fino da trajetória ou intervir após uma falha significativa. Eles deverão acoplar na estação na madrugada de quarta-feira, 8 de maio.
A Starliner é projetada para aterrissar em terra, ao contrário da Crew Dragon da SpaceX, que termina suas missões com um pouso no oceano. A Boeing projetou um sistema de paraquedas e bolsas de ar para suavizar o impacto do pouso. O sucesso desta missão é crucial para a certificação da Starliner para missões operacionais de transporte de tripulação, previstas para começar no próximo ano.
O programa de tripulação comercial da NASA, iniciado em 2014, visa retomar o lançamento de astronautas americanos em solo americano e garantir duas espaçonaves independentes para voos tripulados para a ISS. Apesar dos contratempos, a expectativa é que a Starliner se junte à Crew Dragon na realização de missões de rotação de tripulação a partir do próximo ano, consolidando um grande avanço no transporte espacial humano.
Confira os últimos vídeos publicados no canal