
WASHINGTON — Em uma operação marcada pela discrição, a SpaceX realizou o lançamento bem-sucedido de dois satélites do sistema Galileo, pertencentes à União Europeia, no dia 27 de abril, utilizando o foguete Falcon 9. A decolagem ocorreu às 20h34, horário da costa leste dos Estados Unidos, a partir do Complexo de Lançamento 39A do Kennedy Space Center, transportando os satélites Galileo GM25 e FM27. Algumas horas após o lançamento, a Agência da União Europeia para o Programa Espacial (EUSPA), responsável pela operação do Galileo, confirmou que os satélites estavam em órbita e operacionais.
O nível de segredo em torno do lançamento se assemelhou ao de missões nacionais de segurança classificadas, com a SpaceX encerrando sua transmissão ao vivo logo após a separação da carga útil, sem prover imagens do evento após a separação dos estágios e delegando à EUSPA qualquer atualização adicional sobre a missão. A causa para tal sigilo não foi esclarecida. Lançamentos anteriores de satélites Galileo, realizados por foguetes Ariane e Soyuz na Guiana Francesa, bem como lançamentos da Falcon 9 de satélites GPS, contaram com cobertura mais ampla.
Nenhum pronunciamento prévio sobre o lançamento foi feito pela Comissão Europeia ou pela Agência Espacial Europeia. Entretanto, após o sucesso da missão, autoridades europeias evitaram mencionar o método de lançamento. Thierry Breton, comissário da União Europeia para o mercado interno, foi o mais próximo de reconhecer o uso da Falcon 9, ao comentar nas redes sociais: "2 novos satélites Galileo foram lançados com sucesso ontem à noite. Aguardando Ariane6, os lançamentos de 2024 são cruciais para a resiliência, robustez e continuidade das aplicações civis e militares do Galileo".
A situação foi descrita como uma 'crise de lançadores' pelo Diretor Geral da ESA, Josef Aschbacher, devido à aposentadoria do Ariane 5, à perda de acesso aos foguetes Soyuz após a invasão da Ucrânia pela Rússia há mais de dois anos, e aos atrasos na introdução do Ariane 6, deixando a Europa sem meios próprios para lançar satélites Galileo. Essa crise levou a Comissão Europeia a finalizar um acordo com a SpaceX para dois lançamentos do Falcon 9, cada um carregando dois satélites Galileo, programados para 2024. O contrato foi avaliado em 180 milhões de euros ($193 milhões), segundo Breton.
Esse lançamento foi a segunda missão institucional europeia a utilizar o Falcon 9 devido à crise de lançadores, após o lançamento do telescópio espacial Euclid da ESA em julho de 2023. Um segundo par de satélites Galileo será lançado em um Falcon 9 ainda este ano, juntamente com missões separadas de lançamentos da ESA para a missão científica EarthCARE e a missão de asteroide Hera com o Falcon 9.
Para a SpaceX, essa missão representou o 20º voo deste propulsor, igualando o recorde de reutilização estabelecido por outro propulsor no início do mês, ao lançar um conjunto de satélites Starlink. Anteriormente, o propulsor B1060 havia sido usado em missões variadas, incluindo o lançamento de um satélite GPS e o módulo lunar IM-1 da Intuitive Machines, além de 13 conjuntos de satélites Starlink.
Além disso, o lançamento marcou a última missão para o propulsor B1060, pois o desempenho adicional necessário para colocar os satélites Galileo em órbita média da Terra significou que o propulsor não poderia ser recuperado. Isso interrompeu uma sequência de 146 pousos bem-sucedidos de propulsores Falcon 9 desde novembro de 2022. Após o lançamento, a SpaceX anunciou: "Estamos trabalhando para qualificar nossa frota de propulsores Falcon e carenagens de carga para suportar 40 missões cada", destacando também que esta foi a 200ª missão a utilizar carenagens de carga previamente voada.
Confira os últimos vídeos publicados no canal