
A NASA, agência espacial americana, anunciou uma revisão significativa em seus planos de retorno de amostras marcianas para a Terra, que antes estava orçado em astronômicos 11 bilhões de dólares. O administrador da agência, Bill Nelson, em coletiva de imprensa na última segunda-feira, declarou que o projeto, na sua forma atual, é demasiadamente caro e que levaria tempo excessivo, estendendo-se até 2040 para que as amostras chegassem à Terra.
A decisão de reformular o programa Mars Sample Return (MSR) surgiu após uma revisão independente no ano passado, que apontou custos crescentes e atrasos que ameaçavam a viabilidade do projeto. Inicialmente, a missão poderia custar entre 8 e 11 bilhões de dólares à NASA, com um lançamento adiado por pelo menos dois anos, para 2030, e a chegada das amostras na Terra prevista para alguns anos depois.
Além desses desafios, a NASA enfrenta novas restrições de gastos impostas pelo Fiscal Responsibility Act, um acordo bipartidário de orçamento fechado no ano passado entre a Casa Branca e os republicanos do Congresso. Com esses novos obstáculos orçamentários, oficiais da NASA concluíram que o plano atual para o MSR não traria as amostras de volta do planeta vermelho até 2040.
O rover Perseverance, ativo em Marte desde 2021, tem como objetivo primário coletar e catalogar mais de 30 amostras de rocha, sedimento e ar marcianos para retorno à Terra por uma missão futura. Estas estão sendo seladas em tubos de titânio do tamanho de charutos e, coletivamente, totalizarão cerca de meio quilo de massa.
"O ponto crucial é que 11 bilhões de dólares é caro demais, e não retornar amostras até 2040 é inaceitavelmente muito tempo," afirmou Nelson.
Assim, a NASA pretende reestruturar o programa MSR, que foi desenvolvido ao longo dos últimos sete anos com refinamentos de engenheiros do Jet Propulsion Laboratory, instituição responsável pela gestão do esforço.
A nova proposta envolve duas etapas de lançamento: o primeiro em 2030 com uma nave espacial europeia que orbitará Marte aguardando a segunda missão, a cargo da NASA, prevista para partir da Terra em 2035 com um Lander de Recuperação de Amostras (SRL). O segundo lançamento envolveria um Veículo de Ascensão de Marte (MAV), o foguete necessário para lançar as amostras de Marte para o espaço.
Esses lançamentos, anteriormente programados para ocorrerem com dois anos de diferença no final dos anos 2020, não são mais viáveis com o plano e o orçamento atuais. Além disso, o mais recente plano revelado removeu dois helicópteros do SRL, que seriam baseados no helicóptero Ingenuity, bem-sucedido em Marte junto ao Perseverance. Em vez disso, a nova estratégia depende inteiramente do Perseverance para transferir as amostras ao MAV.
Outras mudanças na arquitetura do MSR incluem a substituição de painéis solares no Lander por um gerador de energia nuclear, o que, segundo Sandra Connelly, vice-chefe do diretorado de missões científicas da NASA, melhoraria a confiabilidade do lander e proporcionaria melhores condições térmicas para o MAV. Contudo, parece que essa nova arquitetura ainda tem desafios a serem superados.
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