
Ex-funcionários da CrowdStrike levantaram preocupações sobre a pressa em realizar verificações de qualidade nos softwares da empresa, o que, segundo eles, comprometeu a entrega de produtos.
"Era difícil conseguir que as pessoas realizassem testes suficientes às vezes", afirmou Preston Sego, que trabalhou na CrowdStrike de 2019 a 2023. Sego, demitido em fevereiro de 2023 por ser considerado uma "ameaça interna" após criticar a política de retorno ao trabalho da empresa, revisava os testes feitos por desenvolvedores de experiência do usuário antes das mudanças de código serem liberadas aos clientes. A CrowdStrike não comentou sobre o caso, alegando que não discute questões de pessoal.
Outros problemas também foram mencionados, como um incidente em que informações privadas de um cliente foram acidentalmente carregadas para a pasta errada três vezes, conforme relatado por um ex-funcionário do departamento de serviços profissionais. A CrowdStrike confirmou os erros, atribuindo-os a um "erro de entrada de dados manual". A empresa disse que as informações eram "dados básicos, como nomes de host, endereços IP e nomes de domínio", e que agora são realizados checagens para evitar o envio inadvertido de dados a clientes errados.
Além disso, questões relacionadas ao serviço Falcon LogScale foram levantadas, onde atualizações ruins teriam desativado temporariamente alertas em tempo real sobre atividades potencialmente maliciosas. A CrowdStrike negou essas alegações, afirmando não ter conhecimento de atualizações que causaram perda de alertas. Segundo a empresa, o serviço não é projetado para notificar clientes sobre possíveis vazamentos de dados em tempo real, mas sim para "encerrar rapidamente ameaças com detecção em tempo real e busca veloz".
Um ex-gerente sênior comentou sobre a pressa no lançamento do serviço Falcon OverWatch Cloud Threat Hunting em 2022, que deveria ter levado um ano de trabalho, mas foi feito em apenas dois meses. De acordo com ele, a falta de ferramentas internas adequadas para monitorar as configurações de nuvem dos clientes fez com que a equipe respondesse a alertas de sistemas de segurança existentes até o verão passado.
CrowdStrike reconheceu que utilizou engenheiros existentes em vez de contratar uma nova equipe de caçadores de ameaças na nuvem, justificando que não havia profissionais experientes disponíveis. A empresa defendeu que "qualquer declaração que sugira que os funcionários da CrowdStrike não estavam treinados para suas funções é falsa" e que o treinamento estava disponível para quem quisesse.
Além disso, ex-funcionários relataram que a carga de trabalho aumentada após reduções de pessoal impediu melhorias no código. A CrowdStrike, por sua vez, se destacou por ter sido reconhecida como uma das 100 Melhores Empresas para Trabalhar pela Fortune nos últimos quatro anos.
Recentemente, a empresa enfrentou uma queda de mais de US$ 21 bilhões em valor de mercado devido a uma falha em uma atualização do Falcon Sensor, que resultou em processos judiciais, incluindo um potencial processo da Delta Airlines, que estimou perdas de US$ 550 milhões após o cancelamento de milhares de voos. Durante uma convenção de hackers em agosto, o presidente da CrowdStrike, Michael Sentonas, aceitou um prêmio por "Maior Falha Épica" e destacou a importância de reconhecer os erros cometidos.
Confira os últimos vídeos publicados no canal