WASHINGTON - Uma análise recente questiona as conclusões de um estudo da Universidade de Vanderbilt que comparava a inteligência do Tiranossauro rex à dos primatas, como o babuíno, com base no tamanho estimado do cérebro e no número de neurônios. A equipe interdisciplinar liderada pelo zoólogo Kai Caspar, da Universidade Heinrich Heine, propõe uma avaliação mais abrangente da capacidade cerebral dos dinossauros, considerando fatores adicionais como anatomia, ecologia e comportamentos inferidos de fósseis.
Em resposta ao estudo anterior de Suzana Herculano-Houzel, o trabalho de Caspar, publicado na revista The Anatomical Record, sugere que os cérebros dos dinossauros, incluindo o T. rex, eram relativamente semelhantes em tamanho aos dos répteis atuais, como crocodilos e jacarés, e que o número de neurônios desses animais pré-históricos provavelmente não era excepcional, levando em conta a massa corporal. "É importante ressaltar que os répteis não são tão limitados cognitivamente como se acredita," afirma Caspar, destacando as complexidades comportamentais e cognitivas desses animais.
Herculano-Houzel defende suas descobertas e critica a nova análise, enfatizando que a questão central ainda é a estimativa do tamanho real do cérebro dos dinossauros. Ela ressalta a discrepância entre a relação tamanho do cérebro-corpo assumida para os terópodos, comparando-os com aves modernas como avestruzes e galinhas, ou com parentes mais distantes como crocodilos.
Caspar reconhece que estimar o número de neurônios e o tamanho do cérebro em animais extintos apresenta desafios significativos, citando que, ao contrário de aves e mamíferos, o cérebro dos répteis não preenche completamente a cavidade craniana. Além disso, ele argumenta que o número de neurônios não é necessariamente um bom indicador de inteligência.
Thomas Holtz, da Universidade de Maryland e coautor do estudo, sugere que o T. rex possivelmente apresentava um nível de inteligência intermediário entre crocodilianos e as aves e mamíferos modernos. Ele destaca que medir a inteligência é complexo, mesmo em animais contemporâneos, e que simplificações muitas vezes não se confirmam na prática.
O estudo de Caspar e colegas traz novas perspectivas sobre o entendimento da cognição de animais extintos como o T. rex, ressaltando a diversidade de fatores que devem ser considerados ao avaliar a inteligência de uma espécie desaparecida há 66 milhões de anos. Embora o estudo dos dinossauros tenha avançado significativamente ao longo de dois séculos, muitas incertezas permanecem, desafiando os cientistas a desvendar a complexa biologia e o estilo de vida desses fascinantes animais pré-históricos. (Reportagem de Will Dunham, Edição de Rosalba O'Brien)
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