
Os satélites galileanos de Júpiter, descobertos pelo astrônomo italiano Galileu Galilei em 1610, já não são mais meras manchas indistintas vistas através de telescópios antigos. Ganymede, Callisto, Europa e Io, os quatro maiores luas do gigante gasoso, têm revelado segredos incríveis para a ciência moderna, graças aos avanços na tecnologia de observação espacial. Recentemente, a sonda Juno da NASA realizou duas aproximações impressionantes de Io, a lua considerada o corpo mais vulcanicamente ativo do sistema solar, deixando a comunidade científica extasiada com os dados coletados.
Durante o 60º sobrevoo de Júpiter em 9 de abril, a JunoCam capturou imagens detalhadas da região polar sul de Io, algo nunca antes visto. 'Io está simplesmente coberta de vulcões, e conseguimos flagrar alguns deles em erupção,' declarou Scott Bolton, investigador principal da Juno, em um comunicado da NASA na quinta-feira (18 de abril). 'Também obtivemos excelentes close-ups e outros dados sobre um lago de lava de 200 quilômetros chamado Loki Patera, com detalhes surpreendentes que mostram ilhas bizarras no meio de um possível lago de magma cercado por lava quente,' acrescentou Bolton, fazendo referência à superfície de Io que em alguns pontos se assemelha ao vidro criado por processos vulcânicos na Terra.
As aproximações de Juno, que em dezembro de 2023 e fevereiro de 2024 chegaram a cerca de 930 milhas (1500 quilômetros) da superfície agitada de Io, possibilitaram a criação de uma animação que proporciona uma visão deslumbrante da lua. Além disso, mapas gerados a partir dos dados de Juno mostraram que a superfície de Io é mais lisa do que as das outras luas galileanas e que os polos de Io são mais frios que suas regiões de média latitude.
Juno não só trouxe novidades sobre Io, mas também sobre o próprio Júpiter. Utilizando o instrumento Microwave Radiometer (MWR), a sonda coletou informações intrigantes sobre os polos do gigante gasoso, particularmente sobre os ciclones polares do norte. 'O exemplo mais impressionante dessa disparidade pode ser encontrado no ciclone central no polo norte de Júpiter,' afirmou Steve Levin, cientista do projeto Juno no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA na Califórnia.
As descobertas não param por aí. A equipe da Juno também está avançando no entendimento sobre a abundância de água em Júpiter, não na forma de lagos ou rios, mas como moléculas de oxigênio e hidrogênio em sua densa atmosfera. 'Com os resultados recentes obtidos com os dados do MWR, confirmamos que a abundância de água próximo ao equador de Júpiter é cerca de três a quatro vezes maior que a abundância solar, quando comparada com o hidrogênio,' revelou Bolton. Essa descoberta afasta a hipótese de que o local onde a sonda Galileo mergulhou em 1995, encerrando sua missão, fosse uma anomalia seca e desértica.
Com muitas perguntas ainda por responder sobre a formação de Júpiter, cientistas continuam a depender dos dados fornecidos pela missão estendida de Juno. A próxima aproximação da sonda com Júpiter, que será a 61ª, está programada para 12 de maio.
Confira os últimos vídeos publicados no canal