
Recentemente, adquiri ingressos para um show através da TicketMaster, esperando poder armazená-los offline como PDFs. Contudo, para minha surpresa, a empresa adotou um novo método de entrada móvel chamado SafeTix, que utiliza códigos de barras rotativos exibidos em seus aplicativos web e móveis. Essa mudança reflete uma era onde nada mais é simples no universo online.
Lembro-me de quando era comum imprimir ingressos. Era possível guardá-los em PDF e visualizá-los em qualquer dispositivo, funcionando independente de conexão à internet. Agora, enfrentamos barreiras tecnológicas que, apesar de visarem a segurança, complicam o acesso a eventos. No ano passado, presenciei falhas nesse sistema quando o acesso à internet estava instável e muitos espectadores, inclusive eu, tivemos dificuldades para carregar os QR Codes.
A TicketMaster promove o SafeTix como uma solução contra fraudes, destacando que os códigos de barra se atualizam a cada 15 segundos para prevenir cópias. No entanto, isso não impede problemas técnicos como a falta de serviço de celular, deixando muitos fãs à mercê da sorte para acessar eventos pelos quais pagaram caro.
Além disso, essa tecnologia impulsiona a instalação do aplicativo proprietário da TicketMaster, permitindo à empresa coletar mais dados sobre o comportamento dos usuários. Isso também dificulta a revenda de ingressos fora do marketplace da TicketMaster, que lucra com margens altas.
A incoerência surge quando a TicketMaster afirma que o ingresso pode ser salvo offline, mas não transferido fora do sistema deles. Isso levanta dúvidas sobre o DRM aplicado aos ingressos, pois se podem ser salvos, também podem ser copiados e compartilhados.
Decidi investigar mais a fundo, utilizando o Chrome DevTools para analisar o funcionamento dos códigos de barra. Descobri que os dados incluem um token que identifica o ingresso, mas não impede sua duplicação se você possuir as chaves certas. Isso apresenta uma falha de segurança que poderia permitir a clonagem dos ingressos.
Concluo que, apesar das intenções de segurança, a TicketMaster utiliza práticas questionáveis que dificultam mais do que facilitam o acesso a eventos, punindo consumidores legítimos enquanto tenta proteger seus lucros. É importante questionar e resistir a tais práticas para garantir que os direitos dos consumidores não sejam comprometidos pela conveniência corporativa.
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