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A Relação entre Linguagem e Pensamento: Perspectivas de Evelina Fedorenko

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20 October 2024

Pesquisadores têm refletido por muito tempo sobre a relação entre linguagem e pensamento, questionando até que ponto essas duas facetas estão interligadas e se a linguagem é um pré-requisito essencial para o ato de pensar.

O filósofo e matemático britânico Bertrand Russell respondeu a essa questão afirmando que a linguagem é fundamental, destacando que "a verdadeira função da linguagem é possibilitar pensamentos que não poderiam existir sem ela". No entanto, ao observar o mundo natural, fica evidente que Russell pode estar equivocado: animais são capazes de resolver problemas complexos sem a necessidade de palavras. Por exemplo, chimpanzés conseguem superar humanos em jogos de estratégia, e corvos de Nova Caledônia utilizam ferramentas para capturar suas presas.

Apesar de os humanos realizarem tarefas cognitivas com uma sofisticação que não se observa em chimpanzés, como resolver equações diferenciais ou compor grandes sinfonias, a pergunta persiste: será que a linguagem é necessária para esses feitos exclusivos da nossa espécie? A cientista Evelina Fedorenko, do Instituto McGovern de Pesquisa Cerebral no MIT, tem dedicado anos a investigar essa questão. Ela recorda sua época como estudante de graduação em Harvard, quando a hipótese de que a linguagem gera pensamento ainda era predominante.

Fedorenko, ao iniciar sua pesquisa há cerca de 15 anos, buscou avaliar essa ideia com rigor, utilizando novas técnicas de imagem cerebral que estavam se popularizando. Recentemente, ela co-autoria um artigo na revista Nature que resume suas descobertas, afirmando que a linguagem e o pensamento são, de fato, entidades distintas que o cérebro processa separadamente. "Os níveis mais altos de cognição podem ocorrer sem a ajuda de palavras ou estruturas linguísticas", ressalta.

A linguagem, segundo Fedorenko, funciona como uma forma de telepatia, permitindo que indivíduos compartilhem pensamentos e transmitam conhecimentos essenciais para a convivência em sociedade. Mesmo assim, pessoas com afasia, que não conseguem pronunciar palavras, ainda são capazes de realizar uma gama de tarefas cognitivas fundamentais.

Durante uma entrevista, Fedorenko explicou que sua convicção inicial era de que a linguagem era crucial para o pensamento complexo. Contudo, suas pesquisas revelaram uma separação clara entre as regiões do cérebro que processam estruturas hierárquicas na linguagem e aquelas que realizam funções semelhantes em matemática ou música. "Eu procurei evidências de uma região cerebral responsável por essas estruturas e percebi que ela não existe", afirmou.

Ela destacou duas abordagens que sustentam sua conclusão de que pensamento e linguagem são sistemas separados. A primeira envolve o estudo de indivíduos com danos cerebrais, como aqueles afetados por afasia global, que perdem completamente a capacidade de compreender e produzir linguagem, mas ainda conseguem realizar tarefas cognitivas complexas. A segunda abordagem utiliza técnicas de imagem cerebral para observar a atividade em regiões de linguagem durante tarefas de raciocínio.

"Os modelos de linguagem, como o GPT-2 e seus sucessores, oferecem uma nova perspectiva sobre como estudamos a relação entre linguagem e pensamento", disse Fedorenko. Esses modelos, embora não sejam biológicos, permitem que os pesquisadores explorem questões antes inacessíveis, como o desenvolvimento da linguagem.

Por fim, Fedorenko conclui que a linguagem tem um papel fundamental na transmissão de informações e na construção de conhecimento, mas não é a única responsável pelo ato de pensar. A interação entre os sistemas de linguagem e pensamento ainda é um campo em aberto para futuras investigações, especialmente com os avanços da inteligência artificial.

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