SEUL, Coreia do Sul (AP) — O presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol anunciou na manhã de quarta-feira que pretende revogar em breve a lei marcial que havia imposto durante uma noite de intensa agitação política. Essa decisão ocorreu após uma votação no parlamento, onde os legisladores rejeitaram a proposta de governo militar.
Yoon havia declarado a lei marcial na noite de terça-feira, prometendo eliminar forças que ele considera "anti-estatais" enquanto enfrenta uma oposição que controla o parlamento e que ele acusa de simpatizar com a Coreia do Norte comunista. Contudo, menos de três horas depois, o presidente da Assembleia Nacional, Woo Won Shik, declarou que a lei marcial era "inválida" e que os legisladores se comprometeriam a "proteger a democracia com o povo".
Em uma demonstração de descontentamento, manifestantes bloquearam a saída de um veículo militar nas proximidades do parlamento, enquanto protestos se intensificaram após a declaração de Yoon. "Legisladores do Partido Democrático, incluindo eu e muitos outros, protegeremos a democracia e a segurança pública do nosso país com nossas próprias vidas", afirmou Lee Jae-myung, líder do Partido Democrático, que possui a maioria na Assembleia.
Após a declaração de Yoon, a presença de policiais e militares na Assembleia foi questionada, levando à ordem de retirada dos efetivos. "Queremos que todos os legisladores se reúnam na Assembleia Nacional e pedimos que a força militar e a polícia mantenham a calma e suas posições", disse Woo em um vídeo transmitido em seu canal no YouTube.
A situação gerou uma preocupação internacional, com a Casa Branca expressando "sérias preocupações" sobre os acontecimentos em Seul. Um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA afirmou que o governo Biden não foi informado previamente sobre a declaração de lei marcial e que estava em contato com o governo sul-coreano. O vice-secretário de Estado dos EUA, Kurt Campbell, reafirmou que a aliança entre EUA e Coreia do Sul é "inabalável" e que os Estados Unidos estariam ao lado da Coreia em tempos de incerteza.
A tensão política se intensificou quando a Assembleia votou pela revogação da lei marcial, com todos os 190 legisladores presentes apoiando a medida. A declaração de lei marcial de Yoon foi a primeira desde a democratização do país em 1987, despertando lembranças de um passado autoritário que muitos sul-coreanos preferem esquecer.
Natalia Slavney, analista do Stimson Center, classificou a imposição da lei marcial como "um retrocesso grave na democracia da Coreia do Sul", apontando para um padrão preocupante de abusos desde que Yoon assumiu o cargo. "Resta saber quais serão as consequências políticas deste breve estado de emergência, tanto domesticas quanto internacionais", disse.
O clima de protesto e a reação da oposição demonstram que a sociedade sul-coreana, com sua rica história de pluralismo político e resistência, não aceitará facilmente ações que consideram uma ameaça à democracia.
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