
O ano já começou com ótimas notícias para os fãs de Metroidvania, destacando-se o lançamento de 'Ultros', que, apesar de vir de uma editora menor, tem gerado grande expectativa. Com um estilo artístico inigualável e uma atmosfera fúngica e miasmática, o jogo se destaca no mercado atual, oferecendo uma narrativa mais enigmática e conduzida pelo jogador.
Em 'Ultros', o jogador desperta em uma nave espacial misteriosa, a qual abriga o nascimento de uma criatura massiva chamada Ultros — um horror cósmico ao estilo Lovecraftiano que aparenta ser uma ameaça para o universo.
O jogo começa de maneira tradicional, com exploração lateral do mapa, a descoberta de uma espada curta para combate e o encontro com personagens excêntricos que fornecem informações crípticas. Os jogadores começam a desenvolver uma árvore de habilidades, cientes de que apenas algumas delas poderão ser mantidas entre os 'loops' do jogo, um conceito inicialmente misterioso.
Após derrotar o primeiro chefe, o jogador descobre o segredo por trás dos 'loops' ao interromper a conexão de um monge adormecido com o processo de nascimento de Ultros, sendo sugado para um vórtice espaço-temporal e acordando no ponto de partida com apenas as habilidades que protegeu. O monge permanece desconectado, mas o jogador deve recomeçar a exploração, coletando melhorias e buscando novas rotas para encontrar o próximo monge.
'Ultros' mistura tradições de Metroidvania com elementos roguelite, em um loop que não pune severamente o jogador, mas que temática e narrativamente se aprofunda à medida que mais detalhes sobre a nave são revelados, embora não de forma definitiva.
O combate se centra em um sistema de esquiva e utiliza um robô flutuante chamado Extrator para navegação e atualizações. Apesar de simples e responsivo, o jogo peca na variedade de inimigos e na curva de dificuldade, com os principais obstáculos sendo mais de navegação do que de combate.
A mecânica de coleta de partes de inimigos para cura e recursos de evolução é complementada pela possibilidade de plantar sementes pela nave, criando plantas que oferecem benefícios de cura ou novas opções de movimentação.
A decisão de onde plantar cada tipo de planta personaliza o vasto mapa, que se torna mais fértil e cheio de flora a cada loop completado, alinhando-se com alguns aspectos da história.
Visualmente, 'Ultros' impressiona com seu estilo artístico neon e desenhos à mão, oferecendo um experimento visual marcante. Embora o jogo tenha claras influências de 'Hollow Knight', ele apresenta um mundo visualmente mais ácido e memorável.
No entanto, a plataforma pura do jogo não atinge o nível de excelência esperado pelos fãs, com movimentos levemente imprecisos e um conjunto de movimentos um tanto limitado, tornando a travessia do mapa extenso um pouco desafiadora.
Perto do final, 'Ultros' oferece uma nova abordagem narrativa ao conectar a nave a uma rede intravenosa, um processo que pode ser interessante, mas frustrante devido à sua implementação desajeitada, tornando a viagem rápida uma opção menos atrativa. Em suma, 'Ultros' é uma adição intrigante e visualmente deslumbrante ao gênero Metroidvania, apesar de alguns aspectos de sua jogabilidade que deixam a desejar.
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