
As remunerações na engenharia de software derivam de três principais orçamentos, cada um moldando o cotidiano e influenciando a trajetória de carreira dos profissionais da área.
Refletindo sobre a influência desses orçamentos na visão de carreira e no posicionamento profissional, é possível identificar que os engenheiros vinculados ao setor de vendas e marketing lidam com resultados facilmente quantificáveis. Este setor busca um impacto imediato, com engenheiros de crescimento, engenheiros de vendas e desenvolvedores de relações com o desenvolvedor garantindo que os produtos sejam vendidos e adotados pelos compradores. Apesar da clareza nos resultados e na proximidade com o lucro, essa mensurabilidade também gera uma cultura de competição interna e uma ênfase no curto prazo, levando a uma alta rotatividade de funcionários em busca de otimização.
Por outro lado, o orçamento de pesquisa e desenvolvimento (P&D), que emprega a maioria dos engenheiros, está sob a égide de um org de produtos e visa o crescimento a longo prazo. Aqui, engenheiros de produto, pesquisadores e arquitetos trabalham tanto na manutenção do que é vendido quanto na exploração de novas possibilidades. Ambientes mais calmos e um foco em reter e atrair novos usuários definem esse setor. Grandes empresas com departamentos de pesquisa dedicados focam em ideias que podem não ser concretizadas por anos, tratando-se de um investimento em longo prazo.
Por fim, o orçamento de manutenção, frequentemente absorvido pelo desenvolvimento, é orientado para a otimização de custos. Sistemas antigos e ferramentas internas são mantidos por administradores de sistemas e engenheiros de plataforma, mas muitas vezes a manutenção é vista como custo puro, levando essas atividades a serem subvalorizadas e distribuídas como tarefas secundárias dentro do desenvolvimento de produtos.
A definição do orçamento que paga o salário dos engenheiros de software tem um papel crucial na determinação das atividades diárias e na percepção de valor do trabalho dentro das organizações. O orçamento de crescimento é mensurável e propenso à rotatividade, o de pesquisa é tranquilo e menos definido, o de desenvolvimento é valorizado e construído ao longo do tempo, e o de manutenção está constantemente em risco de ser cortado.
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