A partir de meados de dezembro, usuários das plataformas Instagram e Facebook enfrentarão mudanças significativas na interoperabilidade de seus serviços de mensagens. As páginas de suporte da Meta foram atualizadas discretamente, indicando que não será mais possível iniciar novas conversas cruzadas entre as duas plataformas, e as atuais passarão a ser somente de leitura. Embora não esteja claro o momento exato da atualização, evidências apontam que a informação já estava disponível desde 21 de novembro.
Em declaração ao The Verge, Alex Dziedzan, porta-voz da Meta, confirmou a descontinuação do recurso que permitia a comunicação entre contas do Messenger e Instagram. "Há alguns anos, introduzimos uma nova experiência de Messenger no Instagram, que permitia enviar mensagens e realizar chamadas de uma conta do FB (Messenger) para uma conta do Instagram e vice-versa", explicou Dziedzan. "A partir de meados de dezembro, começaremos a remover essa funcionalidade. No entanto, as pessoas ainda poderão enviar mensagens e fazer chamadas para seus contatos no Facebook, Instagram ou Messenger".
A mudança ocorre pouco mais de três anos após o lançamento da funcionalidade em 2020, quando Adam Mosseri, chefe do Instagram, argumentou que a integração permitiria à Meta trabalhar de maneira mais eficiente, desenvolvendo recursos de mensagens uma única vez e depois disponibilizando-os em todos os seus produtos. De fato, o início da mensagem cruzada coincidiu com a chegada ao Instagram DMs de várias funcionalidades antes exclusivas do Messenger, como mensagens que desaparecem e adesivos de selfie.
Especulações sugerem que a aproximação dos serviços da Meta poderia dificultar uma possível separação forçada entre Facebook, Instagram e WhatsApp. "Se a Federal Trade Commission planejasse obrigar o Facebook a desmembrar o WhatsApp e o Instagram", escreveu Casey Newton, colega de profissão, em 2019, "a empresa poderia explicar que não existia mais algo como 'WhatsApp' ou 'Instagram', mas apenas interfaces gráficas distintas para seus serviços".
Em um momento que parece ser mais que coincidência, a Meta desfaz a interoperabilidade das plataformas de mensagens enquanto contesta a decisão da Comissão Europeia de regular o Messenger como um 'serviço de plataforma central' sob a lei do Digital Markets Act. Se atingida pelas rigorosas novas regras antitruste da UE, a Meta teria que tornar o Messenger interoperável com outros serviços de mensagens. No entanto, a empresa argumenta que deveria ser isenta, pois o Messenger seria um recurso do Facebook e não uma plataforma de mensagens independente. A extensão do impacto da interoperabilidade do Messenger com os DMs do Instagram na designação sob o DMA permanece incerta, e parece que o recurso nunca chegou a ser implementado na Europa.
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