
Uma nova pesquisa apresentada na reunião anual da União Geofísica Americana (AGU23), que ocorre em São Francisco, está lançando luz sobre uma das questões mais debatidas na arqueologia: a chegada dos primeiros humanos na América do Norte. Tradicionalmente, acredita-se que os humanos migraram pelo corredor livre de gelo há cerca de 13.000 anos. No entanto, descobertas arqueológicas e genéticas recentes, como pegadas humanas no Novo México datadas de aproximadamente 23.000 anos atrás, indicam uma chegada muito mais precoce ao continente, provavelmente através da costa do Pacífico, a partir de Beringia, durante o último máximo glacial.
A pesquisa de Summer Praetorius, da US Geological Survey, sugere que o gelo marinho ao longo da costa do Pacífico poderia ter servido como uma 'autoestrada de gelo' facilitando a migração para o sul. Os modelos climáticos utilizados por sua equipe mostram que as correntes oceânicas eram mais do que o dobro da força atual cerca de 20.000 anos atrás, o que teria dificultado a viagem de barco. No entanto, a presença de gelo marinho até cerca de 15.000 anos atrás teria oferecido uma alternativa para a migração, com condições favoráveis à migração entre 24.500 e 22.000 anos atrás e 16.400-14.800 anos atrás.
Embora comprovar que o gelo marinho foi usado para viagens seja um desafio, já que a maioria dos sítios arqueológicos está submersa, a teoria fornece um novo entendimento de como os humanos podem ter chegado à América do Norte sem uma ponte terrestre ou viagens oceânicas fáceis. O estudo também reforça a possibilidade de migrações humanas ao longo da costa serem viáveis a partir de 14.000 anos atrás, quando a corrente do Alasca se acalmou. 'Nada está fora de questão,' disse Praetorius. 'Seremos sempre surpreendidos pela engenhosidade humana antiga.'
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