
A comediante Megan Stalter, conhecida por seus esquetes de personagens absurdos nas redes sociais, decidiu compartilhar um vídeo diferente na noite de sábado. Motivada pela morte de Alex Pretti, um enfermeiro vítima de disparos de um agente de imigração federal, Stalter gravou uma mensagem pedindo aos cristãos que se manifestassem contra as operações da ICE em Minneapolis.
"Precisamos abolir a ICE", declarou Stalter no vídeo. "Eu realmente, realmente acredito que é exatamente isso que Jesus faria."
O vídeo teve mais de 12.000 compartilhamentos no Instagram, mas não chegou a ser postado no TikTok. Em uma atualização, Stalter revelou que tentou várias vezes fazer o upload do vídeo na plataforma, mas sem sucesso, optando por excluir sua conta, acreditando que seu conteúdo estava sendo censurado por abordar a ICE. A CNN tentou contatar Stalter para obter mais comentários.
Usuários do TikTok relataram experiências semelhantes, sugerindo uma possível conexão entre a censura e suas tentativas de compartilhar vídeos sobre a ICE. O senador democrata Chris Murphy, de Connecticut, também se manifestou sobre o assunto, afirmando que a suposta censura no TikTok é uma das principais ameaças à democracia atualmente.
Em resposta, o TikTok alegou que problemas técnicos na plataforma foram causados por uma queda de energia em um centro de dados dos EUA, resultando em atrasos no upload de vídeos. Um porta-voz da empresa afirmou que as dificuldades não estavam relacionadas aos eventos da semana anterior.
Na manhã de terça-feira, o TikTok informou que havia feito "avanços significativos" na restauração dos serviços para usuários nos EUA, embora ainda pudesse haver problemas com uploads.
Recentemente, uma joint venture de propriedade majoritariamente americana assumiu os ativos do TikTok nos EUA, como parte de um acordo promovido pela administração Trump, que exigia a mudança da propriedade chinesa do aplicativo. Entre os novos investidores está a Oracle, cujos laços com Trump levantam preocupações sobre a privacidade dos dados dos usuários e a moderação de conteúdo.
As preocupações sobre censura estão crescendo entre os usuários do TikTok. Casey Fiesler, professora associada de ética em tecnologia, comentou que a desconfiança em relação às plataformas de mídia social é alta, especialmente com a nova administração do TikTok. "Não há muita confiança na liderança das plataformas de mídia social em geral", declarou Fiesler à CNN.
Fiesler postou vídeos para desmentir rumores sobre mudanças nas diretrizes do TikTok, mas notou que um de seus vídeos ainda estava "sob revisão". "Mesmo que isso não seja censura intencional, isso importa? Em termos de percepção e confiança, talvez", afirmou.
Jen Hamilton, enfermeira e autora com mais de 4,5 milhões de seguidores no TikTok, também expressou suas preocupações. No dia em que houve a transição de controle, um vídeo sobre um menino de 5 anos, Liam Conejo Ramos, não conseguiu ser carregado. "É irônico que no primeiro dia dessa mudança, eu não conseguisse postar algo sobre a ICE e ele não fosse visível ao público", disse Hamilton.
O algoritmo do TikTok torna difícil provar qualquer censura, de acordo com Jeffrey Blevins, professor que estuda ética e leis da mídia. Ele ressaltou que a plataforma, sendo privada, tem o direito constitucional de controlar o que é publicado. "Muitas vezes, é fácil pensar nas mídias sociais como uma praça pública, mas não são públicas de uma forma que importa legalmente", explicou Blevins.
Com o aumento na desinstalação do TikTok, que cresceu quase 150% em cinco dias, muitos usuários estão reconsiderando seu uso da plataforma. Hamilton, embora esteja explorando alternativas como Substack e Patreon, não pretende abandonar completamente o TikTok. "Acredito que isso é para desencorajar pessoas que compartilham narrativas que não se alinham com o que o governo quer que as pessoas ouçam", afirmou. Em um vídeo, Hamilton se descreve como "influenciadora de moda" e fala sobre suas dificuldades em postar sobre a ICE, revelando que já encontrou formas de contornar as restrições.
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