Um aplicativo disponível na plataforma Google Play foi removido após denúncias de que o jogador era estimulado a ser um “proprietário de escravos”. O jogo Simulador de Escravidão, criado pelo desenvolvedor Magnus Games, apresentava imagens de pessoas acorrentadas, incluindo um homem negro, que aparecia coberto de grilhões em uma estética semelhante a um desenho animado. O jogador era incentivado a obter “lucro” e contratar guardas para evitar rebeliões. Havia até uma opção para que o usuário explorasse sexualmente as pessoas colocadas sob seu poder dentro do mundo virtual.
O jogo, que tinha sido baixado mil vezes, causou revolta em muitos usuários e gerou críticas de especialistas, como a historiadora Mariléa de Almeida, que apontou a presença de “racismo grosseiro” no produto. Ela destacou que o jogo naturaliza a escravização e desumanização de corpos negros, perpetuando estereótipos raciais e reforçando a construção histórica de que pessoas negras não são seres humanos iguais aos demais.
O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) anunciou que entrará com representação no Ministério Público por crime de racismo pedindo a prisão dos responsáveis. Ele também ressaltou a urgência de regulação do ambiente digital, já que a existência de aplicativos como esse evidencia a necessidade de medidas para coibir a incitação ao ódio e violência.
Em resposta às denúncias, o Google emitiu uma nota informando que removeu o jogo de sua loja de aplicativos e que possui políticas robustas para manter os usuários seguros, não permitindo apps que promovam violência ou incitem ódio contra indivíduos ou grupos com base em raça ou origem étnica.
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