
Na segunda-feira, o diretor do FBI, Kash Patel, anunciou a abertura de uma investigação sobre chats em grupo no Signal, utilizados por residentes de Minnesota para compartilhar informações sobre os movimentos de agentes federais de imigração. Essa ação marca uma nova etapa no conflito da administração Trump, com possíveis implicações para a liberdade de expressão.
Em uma entrevista ao podcaster conservador Benny Johnson, Patel expressou sua preocupação com a possibilidade de que alguns residentes de Minnesota pudessem ter colocado agentes federais "em perigo" ao divulgar números de placas e localizações. "Você não pode criar um cenário que ilegalmente atraia e coloque as forças de segurança em risco", afirmou Patel, ressaltando a seriedade da investigação.
A investigação rapidamente gerou desconfiança entre defensores da liberdade de expressão. Eles argumentam que a Primeira Emenda protege os cidadãos que compartilham informações obtidas legalmente, como os nomes de agentes federais e os locais de operações de fiscalização. Aaron Terr, da Foundation for Individual Rights and Expression, destacou em um e-mail que compartilhar essas informações pode ser vital para observar e documentar atividades de aplicação da lei, além de responsabilizar os oficiais por possíveis abusos.
Nos últimos meses, ferramentas digitais têm sido fundamentais na resistência às ações de fiscalização de imigração em Minnesota e em todo o país. Oponentes da administração têm usado chats em grupo para monitorar operações do ICE, compartilhar fotos de veículos suspeitos e alertar a população. Recentemente, o aplicativo ICEBlock, destinado a informar sobre avistamentos do ICE, foi removido da loja da Apple, levando seu desenvolvedor a processar a empresa por supostamente ter sido pressionada a retirá-lo.
Nos últimos dias, os chats no Signal, especialmente, ganharam destaque na mídia de direita. Cam Higby, um jornalista conservador, alegou ter "infiltrado" grupos no Signal em Minneapolis, afirmando que estavam obstruindo as ações de aplicação da lei. Sua thread no X teve 20 milhões de visualizações e destacou como esses grupos compartilham informações sobre os veículos de agentes federais. No entanto, a NBC News não confirmou as alegações de Higby.
Patel revelou que a investigação foi inspirada nas postagens de Higby. "Assim que Higby publicou, abri uma investigação sobre isso", disse. Ele enfatizou a gravidade das interações nos chats do Signal, que poderiam resultar em violações de leis federais.
A Signal Foundation, que opera o aplicativo Signal, não comentou imediatamente sobre a investigação. O Signal é amplamente considerado um dos aplicativos de chat mais seguros e é utilizado por pessoas preocupadas com a privacidade. No contexto de Minneapolis, os chats têm sido uma ferramenta importante para ativistas e membros de vigilância comunitária que desejam alertar as famílias sobre as atividades de fiscalização de imigração.
Patel não esclareceu quais leis os residentes de Minnesota poderiam ter violado, e um porta-voz do FBI afirmou que não havia mais informações disponíveis. A possibilidade de que essa investigação possa afetar a garantia da Primeira Emenda foi levantada por Alex Abdo, do Knight First Amendment Institute, que enfatizou a importância de os cidadãos poderem responsabilizar os agentes do governo.
"A menos que o FBI tenha evidências de um crime, e não apenas de atividades protegidas pela Constituição, deveria recuar", disse Abdo.
Em sua conversa com Johnson, Patel reconheceu que a investigação sobre chats em grupo levantaria preocupações sobre liberdade de expressão, afirmando que o FBI buscaria equilibrar os direitos garantidos pela Primeira e Segunda Emendas com potenciais violações da lei federal. No entanto, Terr argumentou que o governo não deve ter a prerrogativa de "equilibrar" a Primeira Emenda com seus próprios interesses, enfatizando que a Constituição prevalece sobre qualquer lei que contrarie a liberdade de expressão.
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