
Uma equipe internacional de pesquisadores revelou novas evidências que apontam para uma série de condições climáticas instáveis, prévias à extinção em massa dos dinossauros não-avianos, conhecida pelo impacto devastador de um asteroide. Segundo a análise mais recente, o mundo já enfrentava desafios significativos antes do evento catastrófico de 66 milhões de anos atrás, com altos níveis de enxofre na atmosfera indicando atividades vulcânicas intensas.
Essa descoberta desafia a ideia anterior de que o asteroide foi o principal responsável pela extinção, sugerindo que o vulcanismo pode ter tido um papel crucial ao desencadear repetidas 'eras glaciais vulcânicas'. O estudo se apoia em dados de pesquisa sobre concentrações de mercúrio e agora de enxofre, fornecendo pistas sobre atividades vulcânicas nas Traps de Deccan, uma das maiores características vulcânicas localizadas na Índia Ocidental, que liberaram cerca de um milhão de quilômetros cúbicos de rocha derretida.
Pesquisadores, como Sara Callegaro da Universidade de Oslo e Don Baker da Universidade McGill, apontam que as emissões sustentadas de enxofre dessa região vulcânica foram suficientes para alterar substancialmente o clima global. A formação de lava rica em enxofre na região de Thakurvadi a Bushe coincide com o resfriamento do clima no Cretáceo, o que pode ter causado quedas de temperatura de até 10°C em períodos intercalados com rápida recuperação climática.
Essas condições desfavoráveis teriam precedido a queda do meteoro Chicxulub, que deu o golpe final aos dinossauros. Os fósseis e fragmentos de cascas de ovos encontrados sugerem um declínio global das espécies de dinossauros não-avianos durante esse período prolongado, apoiando a teoria de que a vida já estava em declínio devido às mudanças climáticas induzidas pelos vulcões.
O debate científico persiste, com opiniões divergentes sobre a influência relativa do vulcanismo e do impacto do asteroide, incluindo teorias que propõem que o asteroide pode ter desencadeado maior atividade das Traps de Deccan, ou que o vulcanismo pode ter ajudado a vida a se recuperar após o impacto.
Os autores concluem que o vulcanismo das Traps de Deccan preparou o cenário para uma crise biótica global, deteriorando repetidamente as condições ambientais e forçando invernos vulcânicos recorrentes. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Science Advances.
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