
Em 8 de abril, um raro fenômeno celeste promete escurecer os céus de partes dos Estados Unidos, Canadá e México, quando um eclipse solar total ocorrerá com a lua posicionando-se perfeitamente à frente do sol. Esse evento não apenas atrai milhões de espectadores ansiosos, mas também é de grande interesse para os engenheiros da NASA na Virgínia, que planejam aproveitar os poucos minutos de escuridão para lançar foguetes na sombra do eclipse.
Esses lançamentos não são apenas espetaculares, mas carregam um objetivo científico significativo: ajudar os pesquisadores a compreender como a abrupta queda na luz solar afeta a camada de ar do nosso planeta. Especificamente, a transição súbita do dia para a noite é conhecida por causar quedas acentuadas na temperatura e por enganar os animais, fazendo-os iniciar comportamentos noturnos. No entanto, pouco se sabe sobre como esses breves momentos de escuridão influenciam a ionosfera, a fronteira entre as camadas superior e inferior da atmosfera terrestre, que se estende de 55 a 500 quilômetros acima da superfície do planeta.
Na ionosfera, a radiação ultravioleta do sol rotineiramente arranca elétrons dos átomos, formando partículas eletricamente carregadas que incham a atmosfera superior. Essa camada se dispersa ao pôr do sol quando esses íons se recombinam em átomos neutros, somente para serem novamente separados ao amanhecer.
O professor Aroh Barjatya, da Embry-Riddle Aeronautical University, compara o efeito do eclipse na ionosfera a uma lancha que atravessa um lago tranquilo, criando uma esteira por onde passa e elevando temporariamente o nível da água ao retornar. Assim, ao lançar três foguetes antes, durante e após a sombra da lua transformar o dia em noite, os engenheiros da NASA esperam coletar dados suficientes para prever tais distúrbios, conhecidos por interferir na comunicação de rádio e satélite.
A equipe de Barjatya lançará os foguetes a partir do Wallops Flight Facility da NASA, na Ilha Wallops, Virgínia. Embora o eclipse bloqueie apenas 81,4% da luz solar sobre esta área, o objetivo é usar o obscurecimento temporário para entender a extensão da 'esteira' causada pelo eclipse solar.
Uma experiência semelhante foi realizada durante o eclipse solar parcial de outubro passado, quando a lua bloqueou até 90% da luz solar. Os resultados desse lançamento revelaram que a diminuição da luz solar causou perturbações capazes de afetar as comunicações de rádio e satélite, destacando a necessidade de uma capacidade aprimorada para prever tais fenômenos.
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