
O telescópio espacial James Webb, da NASA, fez uma grande descoberta ao estudar o cinturão de asteroides: cientistas descobriram vapor d'água no cometa Read. Isso é muito significativo para a busca de respostas sobre a origem da água líquida na Terra e, consequentemente, da vida. Contudo, também foi detectado algo que gerou um novo mistério: o dióxido de carbono não foi encontrado no cometa, apesar dele estar presente em todos os outros.
Os cientistas estão animados com as novas informações encontradas no nosso próprio quintal cósmico e esperam desvendar mais segredos. Ainda é um mistério como toda essa água chegou até a Terra e a história da distribuição da água no nosso sistema solar pode ajudar a entender melhor outros sistemas planetários que podem hospedar planetas semelhantes ao nosso.
O cometa Read é uma das três cometas originais que foram utilizados para estabelecer a classificação dos cometas do cinturão principal. Antes disso, acreditava-se que eles residiam no Cinturão de Kuiper e na Nuvem de Oort, além da órbita de Netuno, onde seus gelos poderiam ser preservados mais longe do Sol. A capacidade da água se manter preservada na região mais quente do cinturão de asteroides, dentro da órbita de Júpiter, era apenas especulação até agora.
A descoberta de vapor d'água no cometa Read foi feita com o uso do NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do telescópio espacial James Webb. Segundo Michael Kelley, principal autor do estudo, a detecção precisa só foi possível graças aos dados espectrais precisos do NIRSpec.
Um fato curioso é que, diferente de outros cometas, o dióxido de carbono não foi encontrado no cometa Read. Normalmente, o dióxido de carbono é responsável por 10% do material volátil em um cometa que é facilmente vaporizado pelo calor do sol. Os cientistas apresentam duas possíveis explicações para a falta do dióxido de carbono no cometa: ele pode ter sido perdido por estar no cinturão de asteroides por muito tempo ou ter se formado em uma região quente do sistema solar onde o dióxido de carbono não estava presente.
Os pesquisadores agora pretendem expandir essa pesquisa para outros cometas do cinturão principal e descobrir se eles também não têm dióxido de carbono. Segundo Heidi Hammel, líder das observações garantidas do Webb para objetos do sistema solar e coautora do estudo, a detecção precisa dos objetos no cinturão de asteroides é muito difícil devido ao seu tamanho e falta de brilho, mas agora, com o Webb, eles finalmente podem ver o que está acontecendo com eles e tirar algumas conclusões.
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Nature. Stefanie Milam, coautora do estudo, espera que, com a confirmação de que há água preservada no cinturão de asteroides, seja possível realizar uma missão de coleta de amostras e aprender mais sobre o que os cometas do cinturão principal podem nos dizer.
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