
Astrônomos do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha, identificaram os blocos construtivos mais antigos da Via Láctea, batizados de 'Shakti' e 'Shiva', que remontam de 12 a 13 bilhões de anos atrás. Essas descobertas são consideradas um marco na compreensão da formação inicial da nossa galáxia, comparáveis à descoberta de vestígios de um assentamento primordial que evoluiu para uma grande cidade contemporânea.
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A pesquisa, publicada no The Astrophysical Journal, revelou que a Via Láctea foi formada pela fusão de galáxias menores, que deram origem a blocos consideravelmente grandes. Durante essas colisões galácticas, as populações estelares se misturam, mas muitas estrelas conservam propriedades fundamentais relacionadas à velocidade e direção de suas galáxias de origem.
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Os pesquisadores, utilizando dados do satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia, e do Levantamento Digital do Céu Sloan, dos EUA, identificaram que as estrelas das galáxias em fusão se agrupavam em torno de duas assinaturas específicas de energia e momento angular. Assim, formaram-se dois grupos distintos de estrelas: 'Shakti' e 'Shiva'.
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Nomeados pela coautora da pesquisa, Khyati Malhan, esses grupos estelares possuem um momento angular superior ao das estrelas centrais da Via Láctea, o que é consistente com a ideia de que pertenciam a galáxias separadas antes de se fundirem com a nossa. Além disso, todas essas estrelas apresentam baixo teor de metais, o que indica que se formaram há muito tempo, já que as estrelas mais recentes contêm uma quantidade maior de elementos metálicos pesados.
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Essas características sugerem que 'Shakti' e 'Shiva' podem ser alguns dos ancestrais mais antigos da Via Láctea. O coautor do estudo, Hans-Walter Rix, do Instituto Max Planck de Astronomia, sugere que 'Shakti' e 'Shiva' podem ter sido as primeiras adições ao núcleo da Via Láctea, iniciando seu crescimento em direção a uma grande galáxia.
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O satélite Gaia, lançado em 2013, agora inclui dados de posições, alterações nessas posições e distâncias de quase 1,5 bilhão de estrelas dentro de nossa galáxia, fornecendo um conjunto de dados ideal para este tipo de 'arqueologia galáctica de big data', como descreveu a equipe de pesquisa.
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