
Um engenheiro de software iraniano compartilhou suas experiências frustrantes ao tentar usar serviços online, que frequentemente bloqueiam usuários de seu país devido a sanções internacionais. Através de uma nota em papel rasgado, ele relembra episódios que refletem a realidade vivida por muitos no Irã.
"Recebi acesso ao Microsoft Imagine e, inspirado, publiquei um projeto de código aberto chamado EyesGuard na Microsoft Store", contou ele. Contudo, um dia, ao procurar seu aplicativo, percebeu que ele havia sido excluído, assim como sua conta de desenvolvedor. Tentativas de contato com o suporte da Microsoft resultaram em silêncio, o que ele atribui às sanções.
Outro serviço que o afetou foi o Notion, uma ferramenta que utilizava para gerenciar suas anotações. "Eles decidiram apagar todos os dados dos usuários residentes no Irã", disse. Ao receber uma resposta do suporte, foi informado de que, mesmo se deixasse o país, seus dados não seriam restaurados. Agora, ele se sente satisfeito com sua nova ferramenta autohospedada, a Siyuan.
O engenheiro também mencionou seu desconforto ao acessar o site grepular.com, onde encontrou uma mensagem que bloqueava usuários iranianos. "Não culpo quem faz isso", ele reflete, reconhecendo a confusão entre a imagem que o mundo tem do regime iraniano e a realidade dos cidadãos comuns, que frequentemente se opõem à agressão russa.
Além disso, o acesso ao GitHub foi temporariamente restringido, mas posteriormente foi restaurado após a empresa obter uma licença do governo dos EUA. Em contrapartida, ele notou que o GitLab continua a bloquear contas associadas a IPs iranianos, sem perspectiva de reverter a situação. "É uma pena, porque o GitLab é uma excelente plataforma", lamentou.
A lista de serviços bloqueados é extensa e inclui plataformas de nuvem, educação e pagamentos, como AWS, Coursera e PayPal. Ele reflete sobre a responsabilidade das empresas, afirmando que não acredita que tenham intenções ruins, mas que estão apenas seguindo regras de mercado.
"Se um dia alguma lei me obrigar a excluir grupos de meus serviços, pensarei duas vezes antes de tomar essa decisão", concluiu, ressaltando a importância de ter empatia e lembrar que por trás de cada conta há uma pessoa com histórias e desafios únicos.
Por fim, o engenheiro deixou claro que não apoia o regime atual do Irã, mas sim os movimentos que buscam libertar o povo iraniano de um governo opressor, enfatizando que os cidadãos são os primeiros a sofrer as consequências das ações da liderança.
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