
Um denunciante revelou detalhes alarmantes sobre como a DOGE, ligada ao governo Trump, pode ter acessado dados sensíveis de trabalho armazenados pelo Conselho Nacional de Relações Trabalhistas (NLRB) em Washington, D.C. Em março, uma equipe de conselheiros do novo Departamento de Eficiência Governamental chegou à sede do NLRB, uma agência federal independente que investiga práticas trabalhistas injustas e armazena informações confidenciais sobre funcionários e negócios.
De acordo com a denúncia recebida pelo Congresso e analisada pela NPR, engenheiros da DOGE, que têm como líder o bilionário Elon Musk, tentaram acessar os sistemas internos do NLRB sob o pretexto de revisar dados para garantir conformidade com as políticas da nova administração. No entanto, funcionários de TI da agência ficaram alarmados ao notar um aumento repentino no tráfego de dados saindo do NLRB, o que poderia incluir informações sensíveis sobre sindicatos e casos legais em andamento.
"Quando vi isso, eu realmente entrei em pânico", disse o denunciante Daniel Berulis, lembrando-se de sua preocupação ao observar atividades suspeitas e tentativas de login a partir de um endereço IP na Rússia. A situação levou o departamento de TI a iniciar uma investigação formal sobre a possível violação de segurança.
Berulis, que trabalhou para proteger os dados da NLRB, expressou sua preocupação de que o acesso da DOGE pudesse expor dados confidenciais, o que poderia ser explorado por empresas em litígios e intimidar denunciantes. "Estamos sob ataque agora", refletiu Berulis, referindo-se à possibilidade de dados sensíveis estarem sendo exfiltrados sem controle.
As ações da DOGE levantaram questões sérias sobre possíveis conflitos de interesse, especialmente em relação a Musk e suas empresas, como a SpaceX, que têm casos pendentes no NLRB. Críticos argumentam que a DOGE não tinha um motivo legítimo para extrair dados do sistema de gerenciamento de casos da NLRB, que contém informações críticas, incluindo notas de casos e dados pessoais de funcionários.
O denunciante também mencionou a presença de comportamentos evasivos por parte da equipe da DOGE, que tentaram desativar ferramentas de monitoramento e deletar registros de acesso. "Isso é algo que você simplesmente não faz", disse Berulis, enfatizando a gravidade da situação e a violação dos princípios básicos de segurança.
Apesar do NLRB ter negado que a DOGE tenha obtido acesso a seus sistemas, a documentação interna e as conversas coletadas por Berulis indicam o contrário. A situação gerou preocupações em várias agências do governo, com mais de 30 fontes expressando seu temor sobre como a DOGE está lidando com dados sensíveis.
"Não há razões para acessar essas informações", afirmou Harley Shaiken, professor da Universidade da Califórnia, alertando sobre o potencial de danos a trabalhadores e à própria integridade do NLRB. Berulis, em sua declaração, pediu transparência da DOGE, destacando a importância de não esconder atividades que podem comprometer a segurança.
A denúncia ressalta uma crescente preocupação em diversos setores do governo, onde a DOGE continua a visitar agências em busca de acessar dados sensíveis. Especialistas temem que a falta de proteção adequada possa levar a vazamentos ou exploração por adversários externos, aumentando a urgência de uma investigação completa sobre as práticas da DOGE e suas implicações para a segurança nacional e os direitos dos trabalhadores.
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