
A Intuitive Machines alcançou um marco histórico com a primeira aterrissagem de uma sonda privada americana na Lua desde 1972, através de seu módulo lunar Odysseus, que encerrou suas operações após sete dias na superfície lunar. O destaque da missão foi o inovador sistema de propulsão da sonda, que utilizou uma combinação de oxigênio líquido criogênico e metano líquido, uma novidade em missões desse tipo e que promete revolucionar as futuras explorações espaciais.
Anteriormente, a maioria das sondas operava com propelentes hipergólicos, como hidrazina ou tetróxido de nitrogênio, conhecidos por serem altamente tóxicos, porém passíveis de armazenamento passivo. Em contrapartida, os criogênicos utilizados por Odysseus são mais eficientes, possuem maior energia e são consideravelmente menos perigosos, apesar de exigirem refrigeração ativa em temperaturas extremamente baixas.
A Intuitive Machines enfrentou desafios notáveis para manter esses combustíveis em estado líquido, o que os obrigou a abastecer o motor VR900 do lander da classe Nova-C, desenvolvido pela própria empresa, apenas três horas antes do lançamento. Tal procedimento exigiu que a SpaceX desenvolvesse novas capacidades de abastecimento, modificando o lançador Falcon 9 e o acesso ao payload mesmo com o veículo já acoplado, segundo Bill Gerstenmaier, VP de construção e confiabilidade de voo da SpaceX, em coletiva de imprensa em 13 de fevereiro.
A eficiência dos criogênicos permitiu à sonda seguir uma trajetória mais direta à Lua, minimizando a exposição a partículas de alta energia na região do cinturão de Van Allen. A tecnologia também será empregada na sonda maior 'Nova-D', planejada para transportar entre 500-750 quilogramas de carga útil à Lua.
Além disso, a sonda Odysseus carregava seis cargas úteis de ciência e pesquisa da NASA, incluindo uma tecnologia do Glenn Research Center que mede o nível de combustível em tanques de propulsão em microgravidade, crucial para missões de longa duração. Essa inovação é de particular interesse para a NASA, que planeja missões Artemis para o retorno humano à Lua, as quais dependerão de transferências de grandes quantidades de criogênicos, abrindo caminho para o uso mais amplo desses combustíveis no espaço.
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