
Uma nova pesquisa liderada por cientistas da UCL (University College London) indica que o aquecimento acelerado do Ártico pode fazer com que a temperatura global aumente 2°C mais cedo do que se previa, atingindo esse marco crítico oito anos antes. O estudo, publicado na revista Earth System Dynamics, aponta que o Ártico está aquecendo quase quatro vezes mais rápido que a média global.
. A pesquisa utilizou modelos climáticos para simular um cenário onde o aquecimento rápido do Ártico não ocorresse e comparou as temperaturas desse mundo hipotético com as projeções 'reais'. Os resultados mostraram que as metas de 1,5°C e 2°C do Acordo de Paris seriam ultrapassadas cinco e oito anos mais tarde, respectivamente, sem o aquecimento acelerado do Ártico.
. Além disso, descobriu-se que a amplificação ártica, que é mais expressiva nos meses de inverno, traz uma incerteza desproporcional às previsões climáticas, já que as variações nas projeções para a região são maiores do que para o resto do planeta. Alistair Duffey, candidato a Ph.D. e autor principal do estudo, ressaltou a importância do aquecimento do Ártico para o clima global e a necessidade de melhor monitoramento da região.
. A professora Julienne Stroeve, coautora do estudo, enfatizou que um aumento global de 2°C resultaria em um aumento médio anual de 4°C no Ártico e de 7°C no inverno, com consequências profundas para as pessoas e ecossistemas locais. Também destacou as consequências globais do aquecimento ártico, como a elevação do nível do mar e o descongelamento do permafrost, que libera mais carbono na atmosfera.
. Dr. Robbie Mallett, também coautor, apontou a necessidade de os políticos não ignorarem as mudanças climáticas no Ártico, uma vez que a região influencia diretamente as metas globais como o Acordo de Paris. O estudo analisou um conjunto de 40 modelos climáticos que informaram o relatório de mudanças climáticas da ONU de 2021, modificando-os para criar um mundo alternativo sem o rápido aquecimento do Ártico. Os pesquisadores também examinaram como a remoção do aquecimento rápido do Ártico afetaria as projeções de temperatura em cenários de emissões intermediárias e mais pessimistas ou otimistas.
. As projeções de temperatura para o Ártico apresentaram uma variação substancial entre os modelos em comparação com outras partes do globo, representando 15% da incerteza nas projeções, apesar da região corresponder a apenas 4% da superfície global. O Acordo de Paris visa manter o aumento da temperatura global bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais e envidar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C. O aquecimento do Ártico desde a era pré-industrial já alcançou 2,7°C e acredita-se que tenha acelerado desde o início do século XXI. (doi.org/10.5194/esd-14-1165-2023)
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