
Estudos recentes revelam que abelhas e chimpanzés, seres até então não associados à cultura cumulativa, podem aprender habilidades complexas observando seus pares, uma característica que acreditava-se ser exclusiva dos humanos. Pesquisadores do Reino Unido utilizaram abelhas em um experimento onde as mesmas foram treinadas para resolver um quebra-cabeça em duas etapas, que consistia em acionar uma aba azul seguida de uma vermelha para obter uma recompensa. Alice Bridges, co-autora do estudo pela Queen Mary University, expressou surpresa ao notar que as 'abelhas ingênuas', depois de observar as 'demonstradoras', resolveram o quebra-cabeça sem a necessidade de um incentivo após a primeira etapa.
Já os chimpanzés demonstraram capacidade semelhante em uma pesquisa separada, onde um grupo semi-selvagem do Chimfunshi Wildlife Orphanage na Zâmbia foi desafiado com um problema que envolvia a manipulação de uma série de ações para liberar uma recompensa. Após treinamento de chimpanzés demonstradores, 14 de 66 indivíduos 'ingênuos' foram capazes de dominar a tarefa após observação.
Essas descobertas, publicadas nas revistas Nature e Nature Human Behaviour, sugerem que a cultura cumulativa pode não ser uma habilidade exclusiva dos humanos e desafiam a noção de que somente as espécies 'mais inteligentes' são capazes de tal complexidade comportamental. Lars Chittka, ecologista comportamental e co-autor do estudo das abelhas, comparou a importância da aprendizagem intergeracional para a sobrevivência e desenvolvimento das habilidades humanas. Alex Thornton, professor de evolução cognitiva na Universidade de Exeter, destacou que, embora o tamanho da amostra seja pequeno, o aprendizado social provou ser um método eficaz para resolver tarefas complexas que seriam difíceis de aprender individualmente.
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