
Uma análise abrangente de 20 VPNs populares realizada pela IPinfo revelou que 17 delas apresentam tráfego de saída em países diferentes dos que alegam. Enquanto algumas afirmam oferecer serviços em mais de 100 países, muitas apontam para um pequeno número de data centers físicos localizados nos Estados Unidos ou na Europa. Isso indica que a maioria dos provedores de VPN analisados não direciona seu tráfego pelos países que afirmam, além de reivindicarem muito mais países do que realmente suportam.
Ao examinar mais de 150.000 IPs de saída em 137 países possíveis e comparar as alegações dos provedores com as medições da IPinfo, constatou-se que 17 dos 20 provedores tinham tráfego saindo em um país diferente. No conjunto de dados, 38 países foram classificados como "apenas virtuais" (reivindicados por pelo menos um provedor, mas nunca observados como o país real de saída do tráfego de qualquer provedor testado).
No total, apenas três dos 20 provedores tiveram suas localizações anunciadas verificadas corretamente. A análise de 150.000 IPs de saída de VPNs revelou que a ProbeNet, plataforma de medição da internet, detectou aproximadamente 8.000 casos em que conjuntos de dados de IP amplamente utilizados colocaram servidores no país errado — em alguns casos, a milhares de quilômetros de distância. "Esses dados mostram que é crucial entender para onde seu tráfego realmente está indo", afirmou um representante da IPinfo.
Entre os provedores analisados, alguns dos nomes mais conhecidos apresentaram listas extensas de países em seus sites, mas isso não significa que ofereçam serviços reais nesses locais. Por exemplo, Mullvad, IVPN e Windscribe não apresentaram nenhuma discrepância em relação aos países testados. As discrepâncias de países não implicam automaticamente em serviços de VPN de baixa qualidade, mas é essencial que os usuários estejam cientes de que muitos dos países reivindicados podem ser apenas rótulos ou localizações virtuais.
Quando um usuário se conecta a um servidor de VPN que diz estar em um país como as Bahamas ou Somália, isso não significa necessariamente que o tráfego passe por esses locais. Em muitos casos, o tráfego pode realmente sair de outra cidade, como Miami ou Londres, mas é apresentado como se estivesse no país selecionado. Este arranjo é conhecido como localização virtual, onde o aplicativo da VPN mostra "País X" enquanto os dados de rede revelam que o tráfego realmente sai em "País Y", muitas vezes a milhares de quilômetros de distância.
Na análise, foram encontrados 97 países onde pelo menos uma marca de VPN só apareceu como virtual ou não mensurável. Além disso, 38 países foram considerados "não mensuráveis", ou seja, mencionados por provedores, mas nunca mostraram uma saída estável em nossas medições. Esses países estão concentrados em regiões específicas e, embora isso não prove que não exista infraestrutura de VPN nesses locais globalmente, indica que os padrões dominantes servem a partir de outros lugares.
Examinamos três casos interessantes: as Bahamas e a Somália. Em relação às Bahamas, todos os cinco provedores que alegaram ter servidores lá, na verdade, tinham tráfego medido nos Estados Unidos. Por outro lado, para a Somália, tanto NordVPN quanto ProtonVPN afirmaram ter servidores em Mogadishu, mas o tráfego real foi medido na França e no Reino Unido. Esses exemplos ilustram como as alegações dos provedores nem sempre correspondem à realidade, o que pode levar os usuários a acreditar que estão se conectando a servidores em locais exóticos quando, na verdade, seu tráfego pode estar passando por regiões completamente diferentes.
Além disso, as discrepâncias nos dados de IP revelaram que 83% dos casos de desacordo estavam a mais de 1.000 km de distância. "Os usuários devem estar cientes de como as informações de localização são frequentemente mal interpretadas e que dependem muito dos dados fornecidos pelos próprios provedores de VPN", concluiu o estudo da IPinfo.
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