Na última quarta-feira, a comunidade científica e entusiastas do espaço celebraram um marco histórico: os 25 anos do início da montagem da Estação Espacial Internacional (ISS) em órbita. Em 6 de dezembro de 1998, a tripulação do ônibus espacial Endeavor conectou o módulo Unity, construído pelos Estados Unidos, ao módulo Zarya, feito pela Rússia, dando início à construção modular da ISS.
Este grande feito da engenharia e da cooperação internacional, que orbita a Terra 16 vezes a cada 24 horas a uma velocidade de oito quilômetros por segundo, tem sido habitado por pesquisadores por mais de 23 anos. A ISS é fruto da colaboração de cinco agências espaciais de 15 países diferentes, incluindo a NASA, Roscosmos (agência espacial russa), ESA (Agência Espacial Europeia), JAXA (Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa) e CSA (Agência Espacial Canadense).
A jornada oficial da ISS começou no início dos anos 90, quando os projetos da estação espacial Freedom, ordenada pelo presidente Ronald Reagan em 1984, e da Mir-2 da Rússia corriam o risco de não sair do papel. A Freedom enfrentava problemas de financiamento do Congresso e custos crescentes, enquanto a Mir-2 estava em perigo devido às dificuldades financeiras após o colapso da União Soviética.
No entanto, em 2 de setembro de 1993, as duas nações assinaram um acordo, formalizado pelo Vice-Presidente dos EUA, Al Gore, e pelo Primeiro-Ministro russo, Viktor Chernomyrdin, para combinar seus programas e colaborar em uma missão conjunta. Esse pacto sinalizou o início da concepção do laboratório cósmico que hoje conhecemos como a ISS.
Nos anos seguintes, a parceria resultou em uma revisão do design para incorporar tecnologia russa nos planos existentes da Freedom, incluindo a adição de financiamento e cooperação de Europa, Canadá e Japão em 1996 e o lançamento do Zarya um mês antes do início da montagem da ISS.
A primeira missão tripulada teve início em 2 de novembro de 2000, quando o astronauta da NASA Bill Shepherd e os cosmonautas Yuri Gidzenko e Sergei Krikalev entraram a bordo. A tripulação inaugural passou quatro meses no espaço, estabelecendo as bases para as futuras tripulações. Peggy Whitson estabeleceu o recorde de mais tempo vivendo e trabalhando no espaço, com 665 dias a bordo da ISS em 2017.
A ISS viu muitas expansões, incluindo a adição do Módulo de Laboratório dos EUA em fevereiro de 2001, que aumentou o espaço habitável da estação em 41%. Em 2005, o Congresso designou a parte dos EUA da ISS como laboratório nacional, possibilitando financiamento e pesquisa de uma variedade mais ampla de instituições.
As pesquisas realizadas na ISS levaram a avanços significativos em várias áreas, desde estudos de doenças até mudanças corporais causadas pela microgravidade. Experimentos de crescimento de cristais de proteínas, por exemplo, impulsionaram tratamentos para câncer e distrofia muscular de Duchenne. Além disso, o estudo sobre o Condensado de Bose-Einstein (BEC) na ISS, em 2018, contribuiu para o entendimento da física quântica e pode auxiliar no desenvolvimento de tecnologias quânticas avançadas.
A NASA planeja descomissionar a ISS em janeiro de 2031, com a infraestrutura do final dos anos 90 envelhecendo rapidamente. Após o descomissionamento, espera-se que laboratórios orbitais governamentais e comerciais preencham a lacuna deixada pela ISS.
Para comemorar o aniversário de 25 anos da união dos módulos Zarya e Unity, a NASA realizou um evento ao vivo na quarta-feira. Todos os sete membros da tripulação da Missão STS-88 do Ônibus Espacial se juntaram a Bob Cabana, Administrador Associado da NASA, e Joel Montalbano, Gerente do Programa ISS, para discutir o marco.
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